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Viva Maria

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Middle class & co., 1972 Serigrafia 65.5 X 50.5 Cm, Ed 14/15 © Courtesy of the Artist and Luciana Brito Galeria
Viva Maria
Curated by: Maria Montero

Avenida Nove de Julho 5162
CEP 01406-200 Sao Paulo
BR
June 7th, 2014 - July 26th, 2014
Opening: June 7th, 2014 11:00 AM - 1:00 PM

QUICK FACTS
WEBSITE:  
http://www.lucianabritogaleria.com.br/
NEIGHBORHOOD:  
Cidade
EMAIL:  
info@lucianabritogaleria.com.br
PHONE:  
+5511 3842 0634
OPEN HOURS:  
Tue-Fri 10-7; Sat 11-6
TAGS:  
video-art, photography, installation

DESCRIPTION

~Please scroll down for English version~

Com título tomado de um dos mais impactantes trabalhos de Waldemar Cordeiro, a exposição Viva Maria dialoga de maneira pouco óbvia com o momento presente. Assim como a icônica obra, que exibe em letras garrafais a palavra “canalha”, os trabalhos que Maria Montero selecionou são de um escárnio cortante. Viva Maria! é também o título de um filme de 1965 do francês Louis Malle, em que Jeanne Moreau e Brigitte Bardot por acaso se tornam heroínas de uma revolução farsesca.

Em meio ao verdadeiro suspense quanto aos rumos do cenário social e político do Brasil no momento de realização da Copa do Mundo, a curadora reuniu trabalhos que lançam mão de ironia, ou mesmo de afiado cinismo, para indagar a realidade ou propor utopias.

Se a obra de Waldemar Cordeiro respondia, em 1966, à profunda crise institucional do país (que levou ao golpe militar e à ditadura), pode-se dizer que a curadoria desta Viva Maria se posiciona perante o debochado e provocativo bordão “imagina na Copa”. Longe de qualquer tese cristalizada sobre os acontecimentos, a seleção de trabalhos reflete a própria complexidade e indefinição do momento atual. Nas palavras da curadora, o conjunto pode ser lido como um “reflexo do espírito brasileiro, desgosto e esperança convivendo juntos e um senso de humor aguçado para driblar a situação”.

A citada obra de Waldemar Cordeiro – ironicamente – não compõe a exposição, mas é a provocação inicial da curadoria que reúne trabalhos de artistas brasileiros (incluindo Waldemar Cordeiro) e dois estrangeiros.  Além da presença literal do futebol em obra de Geraldo de Barros, a mostra propõe gerar ruídos em meio ao debate corrente, como no trabalho de Traplev, que interfere na façada da galeria e a instaura como local de um virtual novo protesto. Já o mexicano Héctor Zamora sugere uma espécie de utopia, fator reiterado pelo fato de o trabalho ser um projeto não integrado à 27ª Bienal de São Paulo por algumas inviabilidades.

As mais diferentes formas de deboche ou ambiguidade surgem na exposição: desde obras pouco vistas do início da década de 70 de Regina Silveira até as sutis provocações do eslovaco Tobias Putrih em obras sobre jornal; ou então nos fragmentos narrativos de Fabiana de Barros & Michel Favre, que falam muito sobre a contemporaneidade, em interessante contraste com a forma pioneira como Thomaz Farkas fundiu registro documental e expressão artística – expediente que também ocorre em Corda, vídeo inédito de Pablo Lobato.

No embate entre produções históricas e contemporâneas, a exposição propõe uma reflexão aberta, inconclusa, sobre a crítica social na arte – no caso do Brasil, antes condicionada pela repressão e pela censura, e agora marcada por uma confusão ético-moral onde a corrupção domina e a crítica se faz por vozes dispersas.

A curadoria incluiu, ainda, obras de Gustavo Speridião, Hudinilson Jr., Pedro Victor Brandão, Rafael RG, Rochelle Costi, Tiago Tebet e do escocês Michael White – que, assim como Tobias Putrih, mostra que o tema local pode ser lido de maneira interessante e pertinente também pelo olhar estrangeiro.

 

Ações de Ricardo Basbaum, Jorge Menna Barreto, Mônica Nador e JAMAC compõem programa de atividades que complementam a mostra (veja PROGRAMAÇÃO).

 

 

SOBRE A CURADORA

Maria Montero é curadora independente, artista, produtora executiva especializada em exposições e galerista. Cursou Art Psychotherapy na Goldsmith College em Londres (1998), atualmente cursa Arte: História, Crítica e Curadoria na PUC-SP. Trabalhou como Relações Institucionais na Galeria Luciana Brito (2009-2010), foi curadora da primeira versão do Red Bull House of Art (2009) e coordenou o projeto Abotoados Pela Manga, ao lado de Franz Manata (2010). É fundadora e gestora do espaço independente Phosphorus e da Sé Galeria de Arte.

 

PROGRAMAÇÃO

 

7 de junho, sábado: abertura da exposição (11h), com visita comentada (12h) pela curadora e pela artista Regina Silveira (12h)

 

A exposição também inclui:

- Ativismo alimentar com Jorge Menna Barreto: degustação de sucos utópicos que investigam naturezas comestíveis locais;

- Mônica Nador e JAMAC: artista e associação criada por ela no Jardim Ângela recebem atividades transdisciplinares: arte, reflexão, ativismo e lazer em diálogo;

- Fanzine: edição especial de fanzine da exposição será lançado em julho, em evento na galeria.

(Datas e horários serão divulgados em breve.)


With the title taken from one of the most striking works by Waldemar Cordeiro, Viva Maria show dialogues in a non obvious way with the present moment. Just like the iconic work, which displays in large letters the word 'canalha' (bastard), the works that Maria Montero have selected display a cutting sarcasm. Amid the thrill about the directions of the social and political panorama of Brazil at the time of hosting the World Cup, the curated works employ irony, or even sharp cynicism, to investigate the reality or to propose utopias.

On one hand, the work of Waldemar Cordeiro responded in 1966 to the profound institutional crisis the country was facing (which led to a military dictatorship). On the other hand, it can be said that the seleted works of this Viva Maria states before the mocking and provocative catchphrase 'Imagina na Copa?' (can you imagine it during the Cup'). Avoiding a politically committed approach, or even any crystallized thesis about the events, the selection of works reflects the complexity and uncertainty of present times. In the words of the curator, the work can be read as a "reflection of the Brazilian spirit, heartbreak and hope living together, and a keen sense of humour to prevail."

The work of Waldemar Cordeiro - ironically - is not featured at the exhibition, which includes works by: Tobias Putrih that reinvents objects and living spaces; Regina Silveira, with her fusion of cultural criticism and investigation on perception; Fabiana de Barros and Michel Favre, in narrative fragments that tell much about the contemporary times; Héctor Zamora and discursive possibilities of labour work elements and urban interventions; Rochelle Costi, revealing the eloquence of the trivial; Ricardo Basbaum, recreating the very notion of human occupation of space; or Thomaz Farkas, with his pioneering work that merges registration and artistic expression.

In the clash between historical and contemporary productions, the exhibition proposes an open, unfinished reflection on the social criticism in art - in the case of Brazil, previously conditioned by repression and censorship, and now marked by an ethical and moral confusion where corruption dominates and criticism is done by scattered voices, far from any unity.

The curator also included works by Roberto Traplev, Rafael RG, Pablo Lobato, Pedro Victor Brandão, Gustavo Speridião, plus the Scottish Michael White - who, like the Slovak Putrih, shows that the local theme can be read in an interesting and pertinent way also through a foreign eye.